[#VozesFemininas] Ana de Castro Osório (1872-1935)

Reconhecida feminista e activista republicana, Ana de Castro Osório (1872-1935) foi um dos principais rostos da luta pelos direitos da mulher na sociedade portuguesa. Nascida em Mangualde, mudou-se com a família para Setúbal em 1895, cidade onde, três anos depois, casou com o poeta Francisco Paulino Gomes de Oliveira. No início do séc. XX, publicou Às Mulheres Portuguesas (1905) — considerado o primeiro manifesto feminista português — e promoveu a fundação do Grupo Português de Estudos Feministas (1907), da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas (1908) e da Associação de Propaganda Feminista (1912).

Para além do activismo, as convicções da escritora reflectiram-se também na sua produção literária, tanto na vertente ficcional, como nas obras de carácter pedagógico. Ciente da importância da imprensa periódica para a divulgação de ideias, criou uma revista intitulada A Sociedade Futura e colaborou em publicações como Ave Azul, Branco e Negro, A Leitura e Serões. Foi também uma figura-chave na introdução da literatura infantil em Portugal editando, ao longo de quase quatro décadas, narrativas originais, adaptações de histórias da tradição oral portuguesa e traduções de contos de autores estrangeiros, como Hans Christian Andersen e os irmãos Grimm. Dentre a sua actividade editorial, destaca-se ainda a organização e publicação de Clepsidra (1920), único livro de Camilo Pessanha.

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