Projecto Adamastor

«Porquê Ler os Clássicos?» – Entrevista a Maria João Lopo de Carvalho

Porque Ler os Clássicos

Porquê ler os clássicos da literatura portuguesa?
Ler os clássicos é uma forma de respirar. Essencial à vida.
 
A definição de clássico está longe de ser consensual. Afinal, o que torna uma obra literária um clássico?
O que torna uma obra um clássico é o facto do seu encantamento resistir à prova do tempo.
 
Eça e Pessoa continuam a ser bastante lidos, mas nem todos tiveram tal sorte. Que autor português considera que foi imerecidamente votado ao esquecimento?
Que posso eu responder senão com o nome inevitável da «Alcipe»? A marquesa de Alorna até dos manuais escolares já foi apagada! Felizmente em 2011, três autores publicaram a respectiva visão sobre esta mulher fascinante!
 
«Prognósticos só no final do jogo», mas que obra contemporânea lhe parece capaz de vencer o teste do tempo e vir a integrar o cânone literário português?
Julgo que a de Lobo Antunes, Rita Ferro e, na nova geração, Gonçalo M. Tavares, João Tordo, José Luís Peixoto e Valter Hugo Mãe.
 
A nossa herança literária é importante, mas por vezes a sua influência pesa em demasia nos autores contemporâneos. A ficção portuguesa conseguiu actualizar-se, ou vive ainda presa às glórias do passado?
Há uma voz própria e original que rompe com o passado, rasga os cânones e far-se-á ouvir longe no tempo e no espaço, não tenho a menor dúvida.

Maria João Lopo de Carvalho nasceu em 1962 e licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade Nova de Lisboa. Professora de Português e de Inglês no ensino público e privado, representante em Portugal dos colégios ingleses Pilgrims, fundou e dirigiu a Know How, Sociedade de Ensino de Línguas e a Know How, Edições Produções e Publicidade destinada à tradução e à criação de livros personalizados para crianças e à conceção anual do Guia da Criança.
 
Publicou o primeiro romance, o best-seller «Virada do Avesso», em 2000 e «Acidentes de Percurso», em 2001.
 
Divorciada, mãe de dois filhos, fala e escreve pelos cotovelos e tem sempre tempo para tudo, sobretudo para os amigos.