«Porquê Ler os Clássicos?» – Entrevista a Manuel Jorge Marmelo

Porque Ler os Clássicos

Porquê ler os clássicos da literatura portuguesa?
Antes de mais, porque a língua que falamos hoje, e que vamos falar no futuro, tem uma história, um passado. Cumpre-nos conhecer essa história e respeitar aqueles que, desde as primeiras cantigas do galaico-português, construíram um idioma que hoje é falados por centenas de milhões de pessoas em todos os continentes. Ler os clássicos é conhecer esta herança através daqueles que foram os melhores cultores da língua.

A definição de clássico está longe de ser consensual. Afinal, o que torna uma obra literária um clássico?
A originalidade, a integração numa determinada corrente literária que se impôs da época e, claro, também a qualidade intrínseca da obra. Mas o maior de todos os critérios acaba por ser o do tempo a passar. Se uma obra sobrevive ao tempo e às modas, torna-se um clássico.

Eça e Pessoa continuam a ser bastante lidos, mas nem todos tiveram tal sorte. Que autor português considera que foi imerecidamente votado ao esquecimento?
Entre os menos antigos, digamos assim, o José Rodrigues Miguéis, evidentemente.

«Prognósticos só no final do jogo», mas que obra contemporânea lhe parece capaz de vencer o teste do tempo e vir a integrar o cânone literário português?
Creio que o Saramago é inevitável, não só porque é o primeiro (e por enquanto único) Nobel português, mas também porque a sua obra tem uma dimensão ética e literária e uma vocação parabólica, que, creio, farão com que alguns dos seus livros permaneçam actuais e vivos durante muitos anos.

Editam-se cada vez mais livros. Inversamente, o espaço dedicado à literatura continua a decrescer, tanto na imprensa como na televisão. Face a este cenário, que podemos nós fazer para preservar a nossa herança literária?
Ler. Mas não creio que deva ser uma obrigação nem que possa ou deva ser imposto por decreto.

Manuel Jorge Marmelo nasceu em 1971, na cidade do Porto, onde continua a residir. É jornalista desde 1989.
 
Estreou-se na Literatura em 1996 com o livro «O homem que julgou morrer de amor/O casal virtual», reeditado em 2006. O seu segundo livro, «Portugués, guapo y matador», publicado em 1997, foi objecto de uma adaptação teatral, estreada no Porto em Abril de 1999. Em 1998 publicou o seu terceiro título, «Nome de tango».
 
Em Maio de 1999 saiu o seu quarto livro, «As mulheres deviam vir com livro de instruções», actualmente na DÉCIMA edição. O romance foi também publicado em Espanha (2005) e em Itália (2008).
 
«O Amor é para os Parvos», lançado em Junho de 2000, foi objecto de quatro reedições, a última das quais em 2011.
 
Em Dezembro de 2001 saiu «Sertão Dourado», e, em Fevereiro de 2002, «Paixões & Embirrações», uma colectânea de crónicas e reportagens.
 
Em Fevereiro de 2003 publicou »Oito Cidades e Uma Carta de Amor», um livro de contos ilustrados por fotografias captadas nas cidades de Budapeste, Praga, Amesterdão, Paris, Londres, Madrid, Nova Iorque e Salvador. No mesmo ano, mas em Novembro, o autor publicou ainda o seu primeiro livro infantil, «A Menina Gigante», escrito em parecia com a sua filha, Maria Miguel Marmelo, e ilustrado por Simona Traina, o qual integra a lista de livros recomendados pelo Plano Nacional de Leitura.
 
Em 2004 publicou, na Asa, «Os Fantasmas de Pessoa», romance que integra a colecção “Literatura ou Morte” (a qual conta com obras de autores como Rubem Fonseca, Luís Fernando Veríssimo, Bernardo Carvalho ou Moacyr Scliar, entre outros) e que teve uma segunda edição em 2014, apenas disponível na plataforma Amazon; e «O Silêncio de um Homem Só», uma colectânea de quinze contos galardoada com o Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco.
 
Em 2005, saiu «Os Olhos do Homem que Chorava no Rio», escrito em parceria com a poeta angolana Ana Paula Tavares, a partir de uma ideia original do escritor brasileiro Paulinho Assunção (edição da Editorial Caminho). Ainda em 2005, o autor regressou à literatura infantil com o livro «O Peixe Baltazar», escrito com o filho, Jorge Afonso Marmelo, e ilustrado por Joana Quental (edição Quasi Edições).
 
Em 2006 saiu “Porto: Orgulho e Ressentimento”, um conjunto de textos impressivos sobre a cidade do Porto, o guia de viagens “Porto Irrepetível”, da editora catalã Austral Media (já em quarta edição em Espanha), e ainda o livro infantil “Zé do Saco, O Contrabandista”, ilustrado por Evelina Oliveira.
 
Em Fevereiro de 2007 apresentou o romance «Aonde o Vento me Levar», que teve uma segunda edição em 2012. Ainda em 2007 lançou a colectânea de contos «O Profundo Silêncio das Manhãs de Domingo».
 
No início de 2008 saiu, com ilustração do espanhol Miguel Macho, o seu quarto título infantil, «A Cabra Imigrante», integrado no projecto Pintar o Verde com Letras, da Direcção Regional de Cultura do Norte. Em Outubro foi publicado, pela Quetzal, o romance «As Sereias do Mindelo».
 
Em 2011 saiu «Uma Mentira Mil Vezes Repetida», romance que mereceu aplauso unânime da crítica e conquistou o prestigiado Prémio Literário Casino da Póvoa/Correntes d’Escritas 2014. Em 2012 foi lançado «Somos Todos Um Bocado Ciganos».
 
Em 2013 publicou, em edição independente, Crónicas do Autocarro e o livro de contos Zero à Esquerda, disponível para impressão na plataforma Amazon.
 
Manuel Jorge Marmelo tem ainda participado em várias publicações e antologias em Portugal e no estrangeiro. Desde Julho de 2001, o seu nome consta do «Dicionário de Personalidades Portuenses do Século XX», da Porto Editora, sendo o mais jovem dos nomes biografados..