Projecto Adamastor

«Porquê Ler os Clássicos?» – Entrevista a Luísa Fortes da Cunha

Porque Ler os Clássicos

Porquê ler os clássicos da literatura portuguesa?
Porque fazem parte da nossa identidade.
 
A definição de clássico está longe de ser consensual. Afinal, o que torna uma obra literária um clássico?
Um clássico é uma obra que tem o poder de encantar diferentes gerações.
 
Eça e Pessoa continuam a ser bastante lidos, mas nem todos tiveram tal sorte. Que autor português considera que foi imerecidamente votado ao esquecimento? Tenho pena que Raul Brandão seja um dos escritores menos lembrados. Na minha opinião a sua obra influenciou de forma evidente a escrita de imensos escritores.
 
«Prognósticos só no final do jogo», mas que obra contemporânea lhe parece capaz de vencer o teste do tempo e vir a integrar o cânone literário português?
Talvez a obra de Gonçalo M. Tavares.
 
Na origem da Teodora, está uma paixão sua de muitos anos pela leitura das lendas e tradições portuguesas — de autores como Teófilo Braga, José Leite de Vasconcellos, Consiglieri Pedroso e Adolfo Coelho. Como é que a Teodora leva os seus jovens leitores a (re)descobrirem os clássicos e a conciliar estas raízes do passado com a internacionalização da Teodora e a sua presença noutras plataformas como a digital?
Ao introduzirmos as lendas e as tradições portuguesas no decurso das histórias da Teodora, automaticamente redescobrimos os autores referidos na pergunta. Ao escrevermos sobre os Açores e sobre toda a sua magia estamos a ir ao encontro da escrita de Raul Brandão e da sua obra «As ilhas desconhecidas».
 
Portugal foi um país invadido por vários povos, por isso torna-se fácil conciliar as raízes do passado com a internacionalização da Teodora. Romanos, Celtas, Gregos deixaram-nos a sua marca. Os livros da Teodora atravessam assim outras culturas.
 
Para terminar, vejo com muitos bons olhos a possibilidade da Teodora passar a ebook, isto porque quando estive nos EUA e no Canadá a convite do Instituto Camões, para visitar as escolas onde existem classes de Língua Portuguesa, perguntavam-me constantemente se a Teodora já estava numa dessas plataformas digitais. A razão desta preferência é fácil de explicar, enviar livros de Portugal para o Continente Americano torna-se muito dispendioso. Um livro pode custar três vezes mais que o preço praticado em Portugal. Assim uma Teodora digital chegará a mais leitores estejam eles no local mais longínquo do nosso planeta.
 

Luísa Fortes da Cunha, licenciada em Educação Física, recebeu bolsa de estudo do Conselho da Europa – Divisão de Educação, Cultura e Desporto, com estágio em Estrasburgo. Concluiu o Mestrado em Gestão da Formação Desportiva e Pós-Graduação em Educação Especial. Autora de inúmeras publicações científicas e artigos sobre segurança desportiva infantil, estreou-se na literatura infanto-juvenil com Teodora e o Segredo da Esfinge, livro que atingiu um sucesso de popularidade entre os jovens.
 
A autora tem visitado ao longo dos anos centenas de escolas e bibliotecas de norte a sul do país e a convite do Instituto Camões tem visitado escolas nos diversos países onde se ensina Português.
 
Tem até ao momento quinze livros publicados todos eles no Plano Nacional de Leitura. Os livros da Teodora estão presentes em diversos manuais de Língua Portuguesa de 5º, 6, 7º e 8º ano e nos manuais de Português como segunda língua (Salpicos 3).