Oaristos — Eugénio de Castro

Tua frieza aumenta o meu desejo:
Fecho os meus olhos para te esquecer,
E quanto mais procuro não te ver,
Quanto mais fecho os olhos mais te vejo.
 
Humildemente, atrás de ti rastejo,
Humildemente, sem convencer,
Enquanto sinto para mim crescer
Dos teus desdéns o frígido cortejo.
 
Sei que jamais hei-de possuir-te, sei
Que outro, feliz, ditoso como um rei,
Enlaçará teu virgem corpo em flor.
 
Meu coração no entanto não se cansa:
Amam metade os que amam com esp’rança,
Amar sem esp’rança é o verdadeiro amor.

Título: Oaristos
Autor: Eugénio de Castro
Data Original de Publicação: 1890
Data de Publicação do eBook: 2020
Imagem da Capa: Les Amoureux, de Pierre-Auguste Renoir
Revisão: Ricardo Lourenço e Joana Camões
ISBN: 978-989-8698-63-6
Texto-Fonte: Oaristos. Coimbra: Livraria Portuguesa e Estrangeira de Manuel d’Almeida Cabral, 1890.

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