Projecto Adamastor

Exposição «Da inquietude à transgressão: eis Bocage…»

Bocage
Por forma a comemorar os 250 anos do nascimento de Bocage, que hoje se assinalam, a Biblioteca Nacional de Portugal inaugura dia 17 a exposição «Da inquietude à transgressão: eis Bocage…», que poderá ser visitada gratuitamente no salão de exposições até ao final do presente ano.

Comemoram-se, a partir de setembro de 2015, os 250 anos do nascimento de Bocage, um paradigma literário e cívico da cultura portuguesa.
 
A sua poesia multifacetada — cultivou com talento todos os géneros poéticos da época — caracteriza-se pela autenticidade, pela singularidade e pelo universalismo, estando omnipresentes na sua obra o lirismo, a intervenção social, o erotismo e a sátira.
 
Acresce, por outro lado, que Bocage fez incursões pela arte cénica e traduziu com rigor e criatividade os clássicos greco-latinos — Ovídio, Lucano, Virgílio, Museu e Moscho — e os escritores coevos, como, entre outros, Voltaire, La Fontaine, Tasso, Racine, Delille e Madame du Bocage, sua tia-avó.
 
A sua vida caracterizou-se pela inquietude, a irreverência e a transgressão. Perfilhou os princípios do Iluminismo, criticou os valores serôdios do Antigo Regime português — a religião punitiva, a nobreza parasitária, o ensino entorpecedor, a moral sexual, o fanatismo e a ignorância — e exaltou o corpo, compondo poesia erótica que distribuiu clandestinamente, a qual só pôde ser publicada legalmente com o advento do 25 de Abril, ou seja, cerca de 200 anos depois do seu falecimento.
 
Bocage subscreveu dois manifestos iluministas, em verso, cuja atualidade é evidente. Não poderia deixar de ser, portanto, persona non grata para Diogo Inácio de Pina Manique, que o pôs a ferros no Limoeiro, tendo sido posteriormente libertado pela intervenção conjugada de personalidades relevantes do regime. Este acontecimento dramático deixou sequelas psicológicas e físicas inequívocas.
 
Bocage faleceu em 1805, aos 40 anos, intensa e freneticamente vividos. Os seus restos mortais, por incúria das autoridades, foram para a vala comum. O seu legado, porém, vivifica o presente e incentiva a utopia.
 
A Biblioteca Nacional de Portugal associa-se às comemorações dos 250 anos do nascimento de Bocage, evocando o poeta, o tradutor, o dramaturgo e o cidadão.

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