Eu — Augusto dos Anjos

Toma as espadas rútilas, guerreiro,
E à rutilância das espadas, toma
A adaga de aço, o gládio de aço, e doma
Meu coração — estranho carniceiro!
 
Não podes?! Chama então presto o primeiro
E o mais possante gladiador de Roma.
E qual mais pronto, e qual mais presto assoma,
Nenhum pôde domar o prisioneiro.
 
Meu coração triunfava nas arenas.
Veio depois um domador de hienas
E outro mais, e, por fim, veio um atleta,
 
Vieram todos, por fim; ao todo, uns cem…
E não pôde domá-lo enfim ninguém,
Que ninguém doma um coração de poeta!

Título: Eu
Autor: Augusto dos Anjos
Data Original de Publicação: 1912
Data de Publicação do eBook: 2017
Capa: Ana Ferreira
Imagem de Capa: Selbstporträt mit fiedelndem Tod, de Arnold Böcklin
Revisão: Ricardo Lourenço
ISBN: 978-989-8698-49-0
Texto-Fonte: Eu. Rio de Janeiro: edição de autor, 1912

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