Apresentação do Projecto Adamastor

Projecto Adamastor

O mercado do livro digital, que nos últimos anos tem vindo a crescer significativamente no estrangeiro, começa agora a desenvolver-se no nosso país, beneficiando da descida de preço dos eReaders e da proliferação dos smartphones e tablets. No entanto, estratégias editoriais à parte, tal desenvolvimento está limitado pela insuficiente oferta de títulos em português, num formato apropriado para leitura nesses dispositivos electrónicos.

Neste sentido, o Projecto Adamastor tem como principal objectivo atenuar essa escassez através da criação de uma biblioteca digital de obras literárias em domínio público, obras essas que serão disponibilizadas de forma gratuita e em formato EPUB, sem qualquer tipo de restrição.

Tal não significa que o projecto se resuma à mera conversão de textos disponíveis online, bem pelo contrário: os colaboradores do Projecto Adamastor procuram acrescentar valor através de uma revisão cuidada de cada obra, de modo a minimizar o número de erros e a atingir uma versão fiel ao original, actualizada de acordo com a ortografia vigente (pré-Acordo Ortográfico de 1990). Tudo isto acompanhado por um design atractivo.

Uma iniciativa desta natureza depende de trabalho voluntário, pelo que se estiverem interessados em colaborar podem entrar em contacto connosco através do email geral@projectoadamastor.org, ou do formulário de contacto.

Não deixem de expressar a vossa opinião – só assim conseguiremos ir ao encontro das necessidades dos leitores -, nem de auxiliar, caso assim o entendam, na divulgação, factor essencial para garantir que um público abrangente conheça o projecto e possa usufruir do trabalho realizado no âmbito do mesmo.

Como nota final, gostaria apenas de agradecer aos colaboradores que permitiram avançar com a ideia, em especial à Ana Ferreira, responsável pelo design das capas, ao Ricardo Barradas, pelo auxílio no processo de revisão, e aos membros do fórum BBDE.

  • jorge

    Parabéns pela iniciativa e boa sorte!

  • antonio oliveira

    Onde posso aceder ao download do ficheiro epub.?

    • Caro António, basta seleccionar a secção “eBooks” na barra de topo para ter acesso às diferentes páginas onde se encontram os links para download.

      • antonio oliveira

        Fiz o download do ficheiro Eurico o presbítero.epub mas na opção Abrir o windows informa não poder abrir o ficheiro

        • projectoadamastor

          Se pretende ler ficheiros EPUB no seu computador, terá de instalar software específico, como o Adobe Digital Editions ou o Calibre (ambos gratuitos). Eventualmente adicionaremos uma página dedicada aos diferentes programas/aplicações que permitem a leitura de ficheiros EPUB, de modo a auxiliar os leitores que não possuem um eReader.

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  • São Martinho

    Falam de “uma versão fiel ao original, actualizada de acordo com a ortografia vigente”. O que é para o Projecto Adamastor a ortografia vigente neste momento? Pela apresentação que fazem (com palavras como “projecto, contacto, factor”) parece-me que não aderiram ao AO90. Se assim for e se as obras estiverem escritas sem submissão a esse AO, tudo bem. Poderei lê-las sem arrepios. Se, pelo contrário, estiverem escritas segundo o AO90, então nem vale a pena ter o trabalho a procurar aceder a elas. Agradeço o vosso esclarecimento sobre o assunto.

    • Ricardo Lourenço

      Caro Martinho, não tendo o novo acordo sido promulgado por decreto-lei, a ortografia vigente aqui mencionada é, portanto, pré-acordo 1990. A resposta a esta questão encontra-se na página de perguntas frequentes:
      http://projectoadamastor.org/faq/

      Creio que isto evita quaisquer arrepios 🙂

  • Adolphe Artin-d’Équin

    Excellente iniciativa: divulgar obras no dominio publico é sempre louvavel. No entanto, tenho pena de que se tenha optado por actualizar a graphia de obras de Oitocentos ao “actual”. Explico.

    Primeiro, porque as obras classicas da litteratura portuguesa de Oitocentos, ou mesmo de um Fernando Pessoa, são difficeis de encontrar no mercado na graphia original. Não deveria ser assim; mas penso que o meio electronico é o ideal para divulgar estas obras no original: com ferramentas simples, qualquer texto pode ser offerecido aos leitores na versão original e na versão actualizada a um qualquer padrão moderno. Seria um maravilhoso serviço de divulgação da litteratura, e da lingua portuguesa, offerecer essa escolha aos leitores.

    Segundo, porque actualizar não ensina o leitor a ler, conhecer, respeitar, e admirar o original. Entendo-o perfeitamente: actualizar pode ser considerado sympathico ― a intenção é ajudar o leitor. Mas na realidade é o contrario: é falta de respeito pela obra e por quem a escreveu ― é ensinar que a lingua é algo que podemos transformar à vontade, e é, principalmente, roubar-nos um pouco do nosso patrimonio. É justamente esta attitude que está na causa do novo Accordo Orthographico, ao qual felizmente parecem não ter adherido. Mas deverão concordar que ler Pessoa escrever sobre a graphia da lingua portuguesa justamente na graphia que elle odiava é uma ironia muito cruel…

    Mas mais fundamentalmente, porque penso ser muito importante, para um conhecimento da lingua portuguesa, das obras, e dos homens, ler o que estes escreveram na graphia original. E nada do que se escreveu na ultima metade do seculo XIX é de difficil comprehensão hoje: algumas poucas paginas deveriam ser sufficientes para o leitor se adaptar a outras graphias. E como escrevia, afinal, Herculano, ou Eça, ou Braamcamp Freire? Quem escrevia por exemplo systematicamente “cousa” e “noute”? Quem assim escrevia provavelmente tambem assim pronuciava essas palavras; este é assim um detalhe que nos diz algo sobre o homem, e uma informação que se perde ao actualizar. Quem escrevia “ás” (de cartas) e quem escrevia
    “az”? Quem escrevia “auctor”, “author”, e “autor”? Quem escrevia “real” e “leão”, e quem escrevia systematicamente “rial” e “lião”? Todos estes exemplos reflectem escolhas pessoaes, que vão de preferencias linguisticas ou simplesmente estylisticas a pura idiosyncrasia dos authores. E tudo isso se perde ao actualizar a graphia.

    Agradeçendo assim a iniciativa, e ainda mais o manterem a graphia do portuguez tal como ella foi durante a maior parte do seculo XX, despeço-me na esperança de que no futuro possam offerecer certas obras tambem como ellas foram escriptas originalmente no seculo XIX. Para bem da cultura portuguesa.

    • projectoadamastor

      Adolphe, agradeço o seu comentário. Não optámos por essa via porque o Project Gutenberg já faz um óptimo trabalho em disponibilizar livros digitais na grafia original (numa boa parte das obras que disponibilizamos, o texto-base utilizado provém precisamente desse projecto).
      Para além disso, os interessados na evolução da língua e da obra em questão, deverão sempre optar por uma edição crítica ou genética, se disponível, algo que, dado os recursos que temos ao nosso dispor, e tendo em conta que os nosso eBooks são disponibilizados gratuitamente, não está ao nosso alcance.